Antes da tempestade...

Antes da tempestade...

sexta-feira, 1 de julho de 2011

COLUNA SOCIAL - 01.07.2011 - Fotos

ANIVERSÁRIO DA JOSI - ESPOSA DO JAIR







                  
                                                      

                                                      ACONTECE NO MANGUE                  
                                                  








LANÇAMENTO DO "DANADO DE BOM 2011"

















ARRAIAL "PÉ DA SERRA" - RODRIGUINHO

















                                             
                                                    

                                                          BALADINHA DA RUA XIII















      
                                        

                                       MAPA CULTURAL PAULISTA - Seletivas de Cubatão











































                                               ARRAIAL "PÉ DA SERRA" - Adriana





















                                    FESTA NO ROTARY DE CUBATÃO - Traje "Descansar"













































quinta-feira, 30 de junho de 2011

COLUNA SOCIAL - 01.07.2011

"Se você não sabe para qual porto está navegando, nenhum vento é favorável." (Sêneca)

Os últimos dias foram mais que agitados em Cubatão - tivemos a etapa municipal do Mapa Cultural Paulista, com exibições de talentos em diversas áreas como dança, cinema, teatro e artes visuais. A Cia de Dança, atores do Teatro do Kaos, artistas consagrados e outros que se revelam na cidade nos deliciaram com seu talento e criatividade. A rodada se completou com dias de poesia na Biblioteca Municipal. Para quem gosta de agito popular, a balada da Rua XIII, mesmo nas noites geladas, continua fervendo - e o Kartódromo Municipal lotou com o Arraial Pé da Serra, onde se pôde escolher entre assistir aos shows de cantores conhecidos do povo ou comer iguarias nordestinas nos barracões. Prá onde ir nos fins de semana desse inverno? Adivinhem...

 
CIRCUITO:

** A 14ª Conferência Municipal de Saúde tem início em 1º de Julho, no Bloco Cultural, a partir de 18 horas  com palestra sobre Controle Social no SUS, grupos temáticos, entrega de propostas e programação cultural. As atividades se estendem também ao sábado, a partir das 8 da manhã.

**E o CAMP de Cubatão, através de sua diretoria, formandos do Programa "Aprendiz de Olho no Futuro" e familiares convida a todos para a solenidade de Formatura da 80ª Turma de Aprendizes desta entidade. Dia 2, às 9 horas, na sede, à rua José Vicente, 440 - Sítio do Cafezal.

** O Teatro do Kaos apresenta, neste sábado, às 20 horas, a peça "Terra nos Olhos", de Carlos Meceni e Murilo Cesar. Lourimar Vieira no elenco e entrada franca - não vale perder.

** Continua o Festival de Inverno "Arraial Pé da Serra", no Kartódromo Municipal, de sexta a domingo, até o final de Julho. Artistas consagrados, muita comida e diversão.

sexta-feira, 17 de junho de 2011

RETRATO: "Pedro do Pão de Queijo"

(Por Jordana Lima Duarte)
Seu nome é Pedro Raimundo de Souza e é natural do Rio de Janeiro. Chegou a São Paulo aos 15 anos. Querido como poucos na cidade, “Pedro do pão de queijo” chega à redação sorrindo, como sempre.
POVO – Mas você veio até São Paulo sozinho?
PEDRO – Sim, sozinho – eu tinha aquela vontade de trabalhar e as chances melhores estavam em São Paulo. Então o jeito foi deixar meu pai e minha mãe.
POVO – Como eles reagiram a isso, considerando tua pouca idade?
PEDRO – Eles não acharam nada bom – só que eu nunca fui de fazer coisas erradas. Sempre trabalhei, estudei. Então quando vim prá cá, estava estudando também e fui ficando por São Paulo. Fui ajudante de pedreiro, trabalhei no almoxarifado da Lobrás que era a ‘Lojas Brasileiras’. Trabalhei na Eletroradiobrás também e fui indo. Casei com 23 anos no dia 3 de março de 1973, com Juraci. Vivemos 9 anos e em 1982 nos divorciamos, mas antes disso, em 1979, eu fui pro Iraque. Saí da Eletroradiobrás, fui pro Carrefour, que só tinha 3 unidades – a de Campinas, Vila Guilherme e Santo Amaro, eu trabalhei nas três. Então fui pro Iraque e tive que deixar minha mulher aqui. O Iraque estava em guerra e eu não queria ir, estava procurando emprego no Brasil. Fui trabalhar na Mendes Junior. Cheguei às 6 horas da manhã na empresa. Pegaram minha carteira profissional, levaram lá prá cima e eu fiquei quieto,esperei 12 horas. Então me chamaram, perguntaram se eu era casado, se tinha filhos. Já tinha 3 meninos – Tarcíso, Marco Aurélio e Peterson. Disseram que obra, no Brasil, não tinha. Tinha no Iraque, se eu queria ir... Eu disse ‘Quero’. Disseram logo que no Iraque não tem mulher – porque sabe como brasileiro é, né? E lembraram que o país estava em guerra e eu teria que ficar restrito ao acampamento – mas o salário era bom.
POVO – Mas você ia prá fazer o quê?
PEDRO – Eu era técnico em açougue e ia mexer na seção de carnes. Mas disseram que eu teria que ir prá casa, consultar minha família e não precisava dar a resposta no mesmo dia. Eu disse que ia e pronto, estava resolvido. Então fui encaminhado prá fazer estágio em Belo Horizonte – a gente ganhava, naquela época, 186 mil cruzeiros, só no estágio. Era um salário que um doutor não ganhava. Eram 9 meses de contrato, na época. Aliás, era um tempo muito difícil. Poucas pessoas tinham TV colorida, vídeo-game, as coisas todas. Só que com um trabalho desses, podia dar tudo isso aos meus filhos. Nós tínhamos uma casa, depois compramos um apartamento. Em 1982 eu voltei prá me separar e doeu muito por causa dos meus filhos. E fiquei lá até 1985.
POVO – Havia outros brasileiros por lá?
PEDRO – Eram 7 mil brasileiros. Além de nós, havia egípcios, portugueses, turcos, chineses. E tive que aprender inglês forçado – porque também estive na Dinamarca, Itália, Portugal... No Iraque eu andei naquele desertão todo, vi a torre de Babel – que é só um montinho. Vi tanta coisa. Vi o que sobrou da Babilônia, muito bonito aquilo. Vi o rio Eufrates, o Jardim do Éden – ele existe, viu? Só que lá tem outro nome – Jardim Erbilh. Andamos pelas regiões onde a guerra era mais intensa. No Iraque tratam brasileiros muito bem – e  gostam do Pelé e do Roberto Carlos.
POVO – Quando você voltou de vez, já estava casado de novo?
PEDRO – Sim, e fiquei por Belo Horizonte mesmo, montamos um mercadinho e quebramos – foi no governo do Collor. Depois fui trabalhar na Aço-Minas, em Ouro Branco, quebrou todo mundo também por causa do Collor. Daí você imagina – eu comer areia no deserto, passar frio no deserto aqueles anos todos, prá chegar aqui e jogar tudo fora...
POVO – Você teve filhos do segundo casamento?
PEDRO – Tive uma moça, tem 26 anos, que me deu uma netinha. Chama-se Geysla Gabriela, nasceu em Sergipe – porque eu também trabalhei lá. Sergipe, Alagoas, trabalhei em Manaus... Estive na linha imaginária do Equador, em Roraima, estive nas Guianas... tudo pela Mendes Junior. Foi antes da Aço-Minas. Daí fui prá Ipatinga, que era área da Usiminas, que me mandou prá Cubatão. Sempre trabalhando com açougue. Isso foi em 2002.
POVO – E você hoje está casado pela terceira vez...
PEDRO - Jane Darc é uma pessoa excepcional, mãe de minhas duas filhas e estamos juntos faz 21 anos. Ela tem 37 anos e eu 60... E fazemos aniversário quase na mesma data – ela no dia 4 de novembro e eu no dia 5. Quando eu me casei pela primeira vez, ela estava nascendo! (Ele mesmo se espanta e ri).
POVO – E quando houve esse acidente que encerrou teu trabalho com a central de carnes?
PEDRO – Fui chamado a voltar para Belo Horizonte e, enquanto aguardava o processo todo prá minha ida, não quis ficar parado e entrei numa cozinha chamada Pontual, que foi onde perdi minha mão.
POVO – E que idade você tinha quando isso aconteceu?
PEDRO – 55 prá 56 anos... E eu nem desmaiei – prá dizer a verdade, não senti nada – foi o machucado que menos dor me causou na vida, o meu cérebro me anestesiou, só lembro de pensar “minhas filhinhas”, só falei isso, mais nada. Agarrei na máquina e fui consciente até o Hospital Modelo – onde, aliás, fui muito bem tratado. Se quer saber, eu nem tenho trauma. Eu me sentia é envergonhado... Quando eu tinha que ir ao hospital fazer curativo, passava por trás do Anilinas prá não ser visto por ninguém conhecido. Eu não ia a festas – como é que eu ia pegar um copo de refrigerante ou comer? Até que um dia eu vi um senhor na rua – que não tinha uma perna, todo sujo, aí pensei “eu estou bem”. Daí recomecei. Hoje eu entrego pão-de-queijo. Enfio a cesta no meu bracinho e saio por aí vendendo o pão-de-queijo feito pela minha mulher.
POVO – Você nunca usou uma prótese?
PEDRO – Eu tenho uma mão mecânica. Dá prá fazer muita coisa com ela, mas pegar copos de plástico é uma tragédia – e dirigir, então??
POVO – Você dirige??
PEDRO – Claro!! Eu e minha esposa inclusive estivemos no Vale do Jequitinhonha – Pedra Azul. Mais de mil quilômetros prá ir, outros tantos prá voltar – e fui dirigindo, fui e vim.
POVO – E depois de tantas idas e viagens, por que decidiu ficar em Cubatão?
PEDRO – Em Cubatão todo mundo me conhece: de criança a grandão, todos mexem, conversam comigo. Não tem esse nem aquele – eu entro nessas lojas todinhas da cidade, tenho muitos amigos. Aqui eu me sinto bem. Imagina os meninos do CAMP – todos me conhecem: “olha o tio do pão-de-queijo!”, sou muito bem tratado, e agora? Você entendeu? E uma coisa: as pessoas, por eu conhecer muita gente, levam vários currículos prá mim – então eu saio e pergunto, levo, de vez em quando arrumo trabalho prá alguém e fico tão feliz com isso...
POVO – Você, apesar das dificuldades, transmite alegria, saúde – é amigo de todos. Parece ter vindo ao mundo só prá fazer as pessoas felizes – tem essa consciência?
PEDRO – Menina, pense uma coisa: é muito mais fácil ser feliz do que ser infeliz. Porque prá ser infeliz você vai ter que fazer força e chorar – e eu trato sempre todas as pessoas com muito respeito – é o faxineiro, é a mãe da Prefeita, não tem diferença. Se você quer saber, as minhas duas ex-esposas gostam de mim e não guardam bronca. Até minha ex-sogra gosta de mim!!
Encerramos porque a hora vai adiantada – ele me dá o braço sem a mão e diz “que ele é gelado mesmo, mas é bom para a circulação”, brinca e rimos. Eu o abraço, agradecida e emocionada.
"Se precisarem de mim, estou aí" - e sai, sorrindo feito um menino.