Descobrindo pessoas, lugares, coisas e histórias numa cidade estranha e surpreendente, que me desperta amor e curiosidade inesperados - minha pequena grande Cubatão...
Antes da tempestade...
sexta-feira, 3 de junho de 2011
COLUNA SOCIAL - Casamento Comunitário em Cubatão - 28.05.2011
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É CEDO PRA FALARMOS EM CAMPANHAS?
Por Jordana Lima Duarte
Ainda não se completou um ano desde que elegemos a Presidente Dilma Roussef (PT) em campanha apertada em termos de votos e tresloucada no que tange a ética no discurso, na defesa de ideologias (se alguém falar em “direita” ou “esquerda” mando marchar) e pautas que sequer deviam ter sido discutidas naquele momento enfim: “nunca antes, na história desse país”, uma campanha presidencial nos embasbacou e constrangeu tanto com a falta quase completa de sentido nas atitudes dos candidatos, de suas assessorias, dos próprios partidos e de onde mais tenha vindo aquela saraivada de posicionamentos – ou falta deles – sem pé nem cabeça.
Fim de campanha e temos novamente o Partido dos Trabalhadores no comando (?) do país tendo (oh, que surpresa) o PMDB no papel de eminência parda – não muito parda, é verdade. Para sermos justos, a dupla estaria mais para Arthur e seu mago Merlin ou o Czar e seu Rasputin – ou ainda Batman e Robin (quem é o Robin, com aqueles “santo isso e aquilo”, fazendo pose de valente, com um pretenso ar inteligente? Sim, quem é o Robin, agora?). A fórmula, misteriosamente, deu certo até aqui.
Se não me falha a memória – posto que memória de brasileiro é engrenagem conhecida por economizar na lubrificação – o Partido dos Trabalhadores foi condenado algumas vezes por fazer “campanha antes da campanha” no último embate, no que foi gentilmente auxiliado por uma oposição descentralizada, desfocada e, até dado momento, excessivamente educada. Digo até dado momento porque sim, se decidiu fazer a oposição – já praticamente no fim do pleito e embarcando em histórica disputa surrealista cujo resultado deixou 46,7 % do eleitorado estático diante do que até hoje não pode decifrar.
Nesse momento – pouco mais de um ano antes das eleições para Prefeito e Vereadores – ventilar nomes de pré-candidatos e possíveis alianças é lugar-comum. Cubatão não foge à regra. Temos a situação se posicionando pra dar o tiro que iniciará a “corrida à conclusão de obras” em tempo recorde para reeleger a Prefeita. A oposição... bem, a oposição – praticamente toda ela – esteve reunida na última segunda-feira 30 em encontro promovido pelo PSDB, na Rua São Paulo. O que tem isso a ver com a última campanha à presidência da República? Vejamos: tratava-se, a princípio, de reunião interna do PSDB que, em algum momento, resolveu convidar a todos que se considerassem “oposição” a participar e interagir. Tivemos, portanto, as presenças de Geraldo Guedes, Doda, Dedinho, Mychajlo, Julio Passarelli, Ivaniel e outros, incluindo alguns membros do PT – interagindo com Arlindo Fagundes, Ademário, Antônio Cantalice e demais tucanos conhecidos da cidade. Foi estabelecido o tempo de três minutos para que cada um dissesse a que veio – o que, é claro, ultrapassou em muito os três minutos – e depois passou-se à interação propriamente dita.
Geraldo Guedes afirmou ser pré-candidato já definido pelo PR à Prefeitura de Cubatão. Fez propaganda do PR-Mulher e demais departamentos de seu Partido, dando a entender que ali a mobilização está já se organizando e que “sigam-no os bons”, se assim o quiserem. Mychajlo se declarou sem partido – como outros presentes – mas já articulado com um que não seria o PSDB (ventila-se PPS). Arlindo Fagundes, até onde se sabe, é pré-candidato à Prefeitura pelo PSDB, para o qual migrou recentemente. Ponto. Os outros fizeram discursos voltados à intenção de uma oposição coesa, o que irritou um dos presentes, que exigia a apresentação dos candidatos a Vereadores – no que os demais discordaram. A polémica estaria instalada não fosse a chegada de Raul Christiano, que trouxe o foco para este jornal explicando não ser o mesmo de oposição – mas de POSIÇÃO, colocando-o como VOZ do povo e deixando claro que o espaço é democrático e aberto a todos que quiserem se expressar e opinar. Uma professora se levantou para pedir apoio ao movimento de sua classe por melhores salários e condições de trabalho. A hora ia adiantada e nem todos puderam falar – ainda bem, porque a casa estava lotada e teríamos saído de lá pela manhã. Saldo: tem-se, até então, dois pré candidatos a Prefeito. Definiu-se estratégia de ações até que comecem, de fato, as campanhas? O grupo ali reunido – tão plural – acertou alianças?
A princípio é animador vê-los juntos no mesmo propósito – mas se não sair logo dali alguma e não qualquer aliança, corre a oposição o risco de tocar o pagode de sempre: largar atrasada, sem centro, sem estratégia, sem foco e, principalmente, sem credibilidade em seu papel.
Lembretes primários: vários candidatos na mesma oposição apenas dividem votos e não ganham uma eleição; enquanto os egos discutem, o relógio trabalha; mocinhos e bandidos “são coisa de novela” – maniqueísmo imbeciliza a campanha e o eleitor quer planos de governo. E atitude. Agora.
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quarta-feira, 9 de março de 2011
RETRATO - "Sinésio"
"Sinésio"
(Por Jordana Lima Duarte)
- O que você quer saber?
- Prá começar, seu nome completo.
- Então vou te falar que meu nome inteiro você não vai pôr no jornal, não – que é o mais bonito de Cubatão.(Risos)
- Cheguei a Cubatão em 1962, com 21 anos e fui trabalhar na COSIPA, onde participei de movimento sindical e fui diretor por duas vezes.
- Você é natural de onde?
- Sou do Estado do Rio de Janeiro. Cheguei aqui em Maio, ia fazer 22 anos em Novembro.
- Já era casado?
- Já – e era pai de um filho de seis meses.
- E por quê você veio prá cá?
- Eu trabalhava na CSN – nas empreiteiras. E aqui a COSIPA estava admitindo muitos empregados na fase ainda da construção, montagem e tal. Pedi as contas lá para entrar aqui. Vim trabalhar em almoxarifados de ferramentas.
Fui diretor do Sindicato dos Metalúrgicos por dois mandatos – de 1977 a 1982, se não me engano, e eleito Vereador em 1983. Aposentei em 1985.
(Ele foi Vereador 2 vezes)
- Como se deu seu contato com a política?
- Quando eu morava em Volta Redonda, tinha vontade de ver as coisas acontecerem, mas não tinha nenhum conhecimento político. Era 1956, eu morava com minha irmã e fiquei sabendo da passeata em defesa da Petrobrás. Era menor de idade – o que não faz muito tempo (risos) e entrei no meio dela.
- Então eu cheguei naquele aglomerado – era muita gente – e pedi também um bambu aceso, cheio de querosene, com facho, e fiquei na frente. E as faixas diziam “O Petróleo é nosso”. Eu, curioso, perguntei por quê. “O petróleo não era nosso??”... “Não”... aí me explicaram alguma coisa e, dalí prá cá me envolvi. Aquilo abriu minha mente para o que era a realidade.
- Você era PTB na época do João Goulart...
- Ah, eu era um admirador incondicional. E participei de almoço com o Ministro Almino Afonso, do Trabalho – antes do golpe.
- E em 1966, participou da fundação do MDB.
- Sim, quando Orestes Quércia andou o Estado de São Paulo todo, organizando diretórios do MDB. Eram o que tinha de melhor - ele, Ulisses Guimarães, Franco Montoro, Mário Covas...
- Aliás, consta que você trabalhou com essa gente toda...
- Trabalhei com todos eles, tenho muitas fotos.
Ele então conta muito da tragetória política de Cubatão, de como a cidade conseguiu se emancipar e dos Prefeitos nomeados – e depois eleitos por voto direto. O homem é uma enciclopédia.
- E você estava onde, nesse momento?
- Estava na Câmara, já era Vereador, isso foi nos anos 80.
Nei Serra e Oswaldo Passarelli eram o chamado “pingue-pongue”: um saía, outro voltava, ninguém conseguia enfraquecer os dois. Depois lançaram o Clermont dizendo que era “prá mudar”, mas a coisa não foi tão boa, não...
- Como foi sua experiência como assessor de Oswaldo Justo?
- Primeiro trabalhei na eleição dele e é preciso que se saiba que eu nunca pedi nada. Ele, por consideração ao trabalho que fiz, ligou em Cubatão, para o Presidente do Partido e falou que queria me nomear para a Assembléia Legislativa, para uma vaga de assessor parlamentar. Assim se deu minha ida para lá e a minha permanência com ele – que era um homem muito culto, inteligente, era macrobiótico... e eu aprendi muito porque ele tinha uma cultura elevada. Trabalhei com ele 6 anos.
- E como foi com Clermont?
- Trabalhei 3 anos como assessor de gabinete – foi um pedido do Tucla. Foram 8 anos com o Vereador Tucla. Aí, com a entrada da Márcia, foram todos exonerados. E hoje sou diretor do Sindicato Nacional dos Aposentados.
- Sinésio, você já se considerou comunista?
(Ele pensa, considera)
- Faz muito tempo. As coisas mudaram tanto e os regimes comunistas no mundo – China, Cuba, Coréia... Não concordo mais com isso. Hoje sou um social-democrata.
- Você acha que o Brasil tem uma vocação socialista?
- No meu entender, o Brasil tem vocação democrática.
- Como você pensa a época do Golpe Militar? Acha que realmente havia o risco de um golpe comunista que o justificasse?
- Não. Eles diziam que os sindicatos estavam cheios de armas – mas não havia nada.
- Mas e a luta armada?
- Essa veio depois, como resistência ao golpe.
- E você aderiu...
- Sim, depois do golpe, se decidiu que o pessoal do Partido ia prá luta armada. E dividiu-se em uma porção de grupos: ALN, MR-8, siglas que não lembro agora.Trabalhavam interligados e com métodos diferentes. Eu integrei a ALN, ligada ao Carlos Mariguela, que foi assassinado pelo então Delegado Sérgio Paranho Fleury do Rio Branco – o nome do desgraçado.
Na minha casa houve reunião da alta direção do PCB, da luta armada, o grupo que aderiu – não foram todos que aderiram, não. Participou o Toledo – que assumiu o lugar do Carlos Mariguela. Ele, os membros da direção estadual, das direções municipais de Cubatão e Santos ( representada pelo Cláudio Ribeiro, que quando estourou o golpe foi preso). 15 dias depois o Sérgio Fleury prendeu, levou prá um sítio e torturou até a morte o jornalista Joaquim Câmara Ferreira, o Toledo.
Ele conta as histórias todas dos regimes de governo desde João Goulart – que são muitas e infelizmente não cabem aqui.
Seguem dissertações sobre os últimos anos da política nacional e o governo atual.
- No Nordeste tem três santos: São Lula, Padre Cícero e Lampião.
Eu não gosto do Lula, não gosto de padres... e o Padre Cícero foi o homem mais mentiroso dos 5 continentes!!
(Gargalhadas minhas, muitas)
E ele continua: Tem um amigo meu que é alagoano e ele conhece muito bem a história do Lampião e do Padre Cícero...
Então ele conta detalhes e testemunhos, choramos de rir – e vocês não vão saber porquê, ele me fez jurar que não publicaria.
Retornou então, ao assunto “política” – que essa é sua maior paixão.
- Sou fã assumido de Fernando Henrique Cardoso. Um dos maiores estadistas brasileiros. Entregou o país completamente democratizado, organizado e infelizmente seu sucessor não teve a hombridade de reconhecer isso.
- Sua família o apiou esses anos todos em que teve que dividi-lo com a política?
- Minha mulher não gostava de política, mas me ajudava em tudo. Ficamos casados 47 anos – faz 3 anos que ela morreu.
Tenho 4 filhos homens – um com 32 anos, um com 42 e outro com 49. Tive uma filha que morreu aos 24 anos por causa de uma bronquite que deu parada cardíaca, ficou 8 meses em coma vegetativo na UTI da antiga Santa Casa de Cubatão...
(Ele olha um ponto vazio na parede, pensativo...)
- 70 anos, 4 filhos bem colocados, netos na faculdade...
- E namorando...
(Sinésio, depois de viúvo, se tornou um namorador.)
- Ah, mas ela é linda, linda...
(Risos)
Ele também foi músico – por 22 anos.
- Toquei baixo, tuba, clarinete... E sempre toquei por partitura, nunca consegui tocar de ouvido.
- É verdade que você tem uma coleção inteira em vinil?
- 1500 exemplares entre músicas evangélicas, bolero, samba da velha guarda, chorinhos, sertanejo, clássico, orquestras, muitas bandas de música.
(Hora de um merecido cafezinho, finalizando uma narrativa rica em vivências e poucas e duráveis paixões).
- Minha filha, acho que dá prá fazer aqui uns dois jornais cheios – hahaha!!!
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