Antes da tempestade...

Antes da tempestade...

domingo, 20 de novembro de 2011



                                                  CUBATÃO DANADO DE BOM 2011



"Eu quero prestar minha máxima homenagem às famílias que vieram lá do Nordeste, numa longa e sacrificada viagem - e chegaram a Cubatão, onde começaram suas novas vidas..." (Daniela Mercury)



NOTA DE ESCLARECIMENTO: Na última semana, fui abordada por amigos e questionada a respeito de matérias publicadas no site de um colega jornalista - que levavam minha foto e meu nome. Necessário esclarecer que não trabalho para o colega em questão nem tenho com ele parceria - tampouco sou autora das matérias alí vinculadas, as quais são de inteira e exclusiva responsabilidade dele. Também não sou dona de blog algum que não seja o meu próprio, situado no Blogspot - endereço http//jordanalimaduarte.blogspot.com - que inclusive não atualizo faz alguns meses. O dono do jornal POVO de Cubatão teve com o colega jornalista contato exigindo esclarecimentos e este, em seguida, retirou meu nome e foto de seu site. Espero ter esclarecido quaisquer dúvidas que envolvam meu nome - e espero também, honestamtente, não voltar a ter mais constrangimentos com o colega e seu site.



*** Enquanto Paulínia - outro pólo industrial de São Paulo, tinha seu SWU com direito a Courtney Love ofendendo fãs e mostrando os seios, Cubatão mostrou sua competência no Festival Danado de Bom. Sem porres nem pitis de artistas. Sem lixo espalhado pelo kartódromo ao final de cada show. Comidas típicas do Nordeste, artistas de raiz, público que soube se comportar todo o tempo e não arredou pé nem debaixo de chuva - tivemos até Daniela Mercury assumindo o posto de madrinha da nossa Afrobanda. Respeito dos artistas para com o público - e o público respondeu à altura. Chico Anysio, hospitalizado, não pôde vir receber sua homenagem - mas homenageou a cidade com palavras de carinho, gratidão e respeito através de um vídeo emocionado, exibido no telão. Seu filho, André Lucas, esteve por cá duas vezes, para buscar e levar nosso carinho a esse artista que tão bem representa a síntese da força, fibra e criatividade nordestinas. Cubatão está cheia de orgulho e, cada vez mais, descobrindo quem realmente é.


***Na segunda-feira, 21.11, teremos Noite da Pizza no Kalabalis - promovida pelo Grupo Amigos do Alfredo Karras. Será das 19 às 23 horas e o ingresso custa R$25,00 (crianças até 5 anos não pagam e de 6 a 12 anos pagam meio covite).








































                                                               



























                                             












                                                         
























                                                             

CUBATÃO E O PATINHO FEIO

"Há muito, muito tempo atrás, uma pata gorda - de nome "São Paulo" - teria colocado seus ovos, numa noite de terrível tempestade. Não seria sua primeira ninhada e ela, exausta do esforço, adormeceu sobre eles, profundamente.
Ao acordar, não percebeu que seu dono acrescentara um ovo - maior - de uma ave que morrera na fatídica noite, deixando seu filhote sem ter quem lhe chocasse.
Tempos depois, rompidas as cascas dos ovos, ela olhou sua cria e foi lhes dando nomes: Itanhaém, Guarujá, São Vicente, Praia Grande, Bertioga, Santos, Cubatão - esse tão feioso e desengonçado, ela pensava de si para si. 
E lá ia a gorda pata levá-los a nadar todos os dias, deixando sempre Cubatão para trás. Já não podia disfarçar sua preferência por Santos - a despeito de o desengonçado Cubatão ser melhor nadador e ter ensinado seu brilhante irmão a nadar. 
As outras patas e suas crias olhavam de esguelha, constrangendo cada vez mais São Paulo, que foi colocando Cubatão de lado, de lado... Até que um dia ele - a quem ela deixava apenas os restos da ração diária - fraco, viu a ninhada se afastar durante o passeio, acabando por se perder.
Abandonado, gritava por sua mãe e seus irmãos - mas estavam, já, longe demais para ouvi-lo. Perdido e desesperado, não notava o olhar de admiração que outros animais, em seu caminho, lhe dirigiam..."

Seria romântico imaginar Cubatão como o cisne chocado pela pata e rejeitado por ela, vagando pelo mundo até se dar conta de seu porte e beleza - eu até gosto de imaginar as coisas assim.
Mas Cubatão não nasceu de São Paulo e, no máximo, podemos dizer que teve uma irmã mais velha - São Vicente.
E a verdade poucas vezes confessa é que, sem Cubatão, sequer existiria a grande pata gorda.
Não vou aqui contar a história do Porto Geral, dos jesuítas na região, dos cinco Manuéis e da instalação do Parque Industrial - tudo isso deveria constar da grade escolar em todo o Estado, com riqueza de detalhes.
Sabemos que fomos tratados como estalagem em vários momentos diferentes da história, muitas vezes abandonados à nossa sorte. Somos o irmão que mais trabalha, o motor que carrega os outros todos - inclusive a pata-mãe - nas costas.
Mas não somos um pato - somos o cisne. 
E só agora, depois de tantos anos, estamos tirando os óculos de lentes verdes e enxergando a realidade.
A realidade é que, depois de carregar o peso das sacas de batatas para que os outros comam o pirê - e abrigando, aqui, os restos das cargas dos viajantes que vieram e se foram e, também, dos que ficaram, um dia acordamos e nos vimos no espelho: somos o irmão mais belo, colorido, criativo, valente e "sarado" (benditas sacas de batatas). 
Ouvi de um empresário santista, faz pouco tempo: "Como vão nossos irmãos pobrezinhos de Cubatão?"...
Pobrezinhos?? 
É verdade que estamos acostumados a não reclamar cada vez que enfiaram nossa riqueza no bolso, nos deixando à míngua. 
É verdade que cada governo que passou nos "interditou" e gastou nossos gordos rendimentos anuais, nos confinando ao aposento mais modesto da ala dos empregados.
Mas também é verdade que somos os mais ricos e, além disso, herdeiros da cultura de cada onda de viajantes que passou por aqui - isso inclui o povo que veio lá do Nordeste, fina flor da arte, musicalidade, literatura e poesia nesse país enorme que é o Brasil.
Somos o cisne - só não nos tínhamos dado conta disso. Até agora.
Ainda não sabemos voar - mas valentes, já começamos a bater as asas.
Quem vai nos impedir, agora que descobrimos a verdade?

                                                                          (Jordana Lima Duarte)